Mostrando postagens com marcador trabalho escravo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trabalho escravo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O GOLPE A CADA DIA SE SUPERA

O golpismo não é só uma forma desavergonhada de rasgar a Constituição de um país, seu ordenamento maior e livro em que se depositam os valores e esperanças de um povo.

Ao rasgar a Constituição, os golpistas ultrapassaram qualquer limite ou marco civilizatório, seja legal, moral ou ético.

O que define o golpismo, assim, não é só uma ação ilegal, como também a falta de pudor já manifestada diversas vezes de forma pública, a mais completa ausência de vergonha na cara, o mau-caratismo claro, evidente, sem deixar qualquer sombra de dúvida.

Venha de onde vier, a falta de caráter é a marca mais indelével de um golpista, sua patente registrada.

Os brasileiros que ainda possuem algum senso crítico todos os dias são confrontados com exemplos vergonhosos praticados por essa quadrilha que se instalou no governo do país.

Inúmeros exemplos já foram dados, o mais atual vem de ninguém menos do que a “Ministra de Direitos Humanos”, Luislinda Valois, magistrada aposentada e filiada ao PSDB.

Em documento encaminhado à Secretaria da Casa Civil do governo golpista, com 207 páginas, a ministra apresenta justificativa para acumular integralmente as duas remunerações que recebe (aposentadoria e subsídio de ministro de Estado) que, somadas, totalizariam algo em torno de 61 mil reais, valor que ultrapassaria e muito o teto constitucional, regra obrigatória para todos os servidores públicos.

Atualmente, a “ministra peticionária da inconstitucionalidade”,  recebe por mês R$ 30,4 mil pela aposentadoria de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia e, como ministra, recebe somente R$ 3,3 mil, uma vez que tem descontados R$ 27,6 mil do subsídio, o chamado “abate teto”, para se enquadrar na norma constitucional.

Se peticionar nessas condições já é ofensivo, uma vez que existe disposição constitucional bem clara a esse respeito, muito embora seja costume do judiciário e do ministério público inventarem situações para fugirem do teto salarial, o embasamento da justificativa mostra claramente com quem estamos lidando.

Eis, pois, a pérola de justificativa da “ministra de direitos humanos do governo golpista”:

“De mais a mais, vale acrescentar que o trabalho executado sem a correspondente contrapartida, o que se denomina remuneração, sem sombra de dúvidas, se assemelha a trabalho escravo o que também é rejeitado, peremptoriamente, pela legislação brasileira desde os idos de 1888, com a Lei da Abolição da Escravatura, aliás, norma que recebeu o nº 3533” (sic)

Só para termos uma noção do que a ministra fala, quando argumenta que a legislação  “peremptoriamente” rejeita o trabalho escravo ou o que lhe é assemelhado, bom lembrar o como o Código Penal Brasileiro define esse crime, previsto em seu rt. 149:

“Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: 

I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; 

II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho” 

Nesse sentido, não precisa o agente prender  a vítima diretamente, basta criar condições adversas para que ela não manifeste a sua vontade, restringindo o seu poder de locomoção, submetendo-a a trabalho forçado, com jornada exaustiva, em condições degradantes.

Na visão cínica da ministra, a sua situação, de alguma forma, adequa-se perfeitamente ao que dispõe a norma acima mencionada.

Para ela, o fato de não poder acumular a sua aposentadoria e o subsídio do cargo de ministro de Estado pode obedecer norma constitucional, mas infringe norma bem anterior, permitindo que a sua situação se assemelhe ao trabalho escravo, análogo a dos negros antes da Abolição da Escravatura.

E olha que a ministra está reclamando porque está recebendo o “teto” e não o “mínimo”, como muitos trabalhadores e trabalhadoras; ou abaixo do “mínimo”, como milhares de trabalhadores escravizados país à fora, fato que deveria ser objeto da preocupação principal da pasta da “ministra”, ao invés de ficar desperdiçando tempo, escrevendo 207 páginas para pleitear  algo não só inconstitucional, mas indefensável, eticamente execrável!

Depois da manifestação na semana passada do ministro do STF, Gilmar mendes, outros “escravos modernos” resolveram colocar as suas manguinhas de fora e tornar público que também estão sendo vítimas de trabalho escravo, reivindicando, além da não aplicação do teto constitucional, adicional, imóvel funcional ou auxílio moradia de R$ 6 mil, carro com motorista,  transporte em jatinhos da FAB,  diárias de viagem e o gabinete de trabalho com assessorias diversas.

É ou não é cinismo na sua forma mais pura e acabada?

Como tem sido o padrão dos membros desse governo golpista e quadrilheiro, o cinismo aqui não é só a manifestação do descaramento e da desfaçatez, mas o uso da justificativa com a finalidade de colocar na defensiva ou em dúvida quem se opõe, além, é claro, de achar que todo mundo é besta para cair nessa armadilha do “se colar, colou!”

Os contribuintes brasileiros pagam mais do que o suficiente para quem não produz nem mesmo o suficiente para se insurgir contra o retrocesso a práticas escravistas no trabalho, regime degradante, extenuante, perigoso e de baixa remuneração, como tem sido uma constante no país e que, com as novas leis patrocinadas pelo governo golpista, ficarão ainda pior.

Os golpistas todos os dias deixam claro que já ultrapassaram qualquer limite e estão cientes do que estão fazendo, não dando a menor importância para leis, moralidade ou opinião pública.

Para Cesare Beccaria, pai do iluminismo penal, um dos impulsos para quem comete crime é a esperança da impunidade, a certeza de que, mesmo pego, irá se livrar de alguma forma.

Por conta disso, ensina, “um dos maiores travões aos delitos não é a crueldade das penas, mas a sua infalibilidade”.

E adverte: “Quanto mais a pena for rápida e próxima do delito, tanto mais justa e útil ela será”.

Mas, ao contrário do que ensina Beccaria, a oposição, nesta incluídos as esquerdas, já descobriram uma forma “justa e útil” de punir essa quadrilha, com a realização das eleições previstas para ocorrer lá em outubro de 2.018.


Enquanto essa forma tardia de punição não chega, essa quadrilha, ciente desse fato, pratica os seus crimes, compactua com outros, destrói o Estado, entrega seu patrimônio e transforma o país em quintal de outras nações,  porque tem não só a esperança, mas a certeza de que nada, nem ninguém, irá detê-la, muito menos puni-la.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Notícias do desenvolvimento do Maranhão VI: Vida de Gado!

Crianças bebiam água do gado da fazenda de deputado flagrada com escravos

Crianças bebiam a mesma água que o gado na fazenda Bonfim, zona rural de Codó, Estado do Maranhão, de onde foram resgatadas sete pessoas de condições análogas às de escravo após denúncia de trabalhadores. Retirada de uma lagoa suja, ela era acondicionada em pequenos potes de barro e consumida sem qualquer tratamento ou filtragem, a não ser a retirada dos girinos que infestavam o lugar. Os empregados também tomavam banho nesta lagoa, e, como não havia instalações sanitárias, utilizavam o mato como banheiro.

Entre os controladores da propriedade, aparece um deputado estadual. Não é a primeira que um político é envolvido em casos desse tipo no Brasil. O Ministério do Trabalho e Emprego já realizou operações semelhantes em fazendas pertencentes aos deputados federais Inocêncio Oliveira (PR-PE), Beto Mansur (PP-SP), entre outros. Neste ano, o Supremo Tribunal Federal já aceitou a denúncia contra dois parlamentares por trabalho análogo ao de escravo: o senador João Ribeiro (PR-TO) e o deputado federal João Lyra (PSD-AL).

A libertação aconteceu em março e foi realizada por ação conjunta de Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal.

Abaixo, trechos da reportagem de Bianca Pyl, da Repórter Brasil.

A propriedade de criação de gado de corte em que foram flagradas condições degradantes foi atribuída à empresa Líder Agropecuária Ltda, da família Figueiredo, que tem como sócios o deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo (PSD/MA). Ele afirmou desconhecer as denúncias e disse que a fazenda é administrada por seu pai, Benedito Francisco da Silveira Figueiredo, ex-prefeito de Codó, que – por sua vez – nega que seja administrador e alega que não há trabalhadores na propriedade, “apenas moradores”.

Os trabalhadores resgatados cuidavam da derrubada do mato para abertura de pasto e ficavam alojados em barracos feitos com palha. Os abrigos não tinham sequer proteção lateral, apesar de serem habitados por famílias inteiras, incluindo crianças. Os resgatados declararam aos auditores fiscais que em noites de chuva as redes onde dormiam ficavam molhadas e que todos sofriam com o frio. Todos comiam diariamente café com farinha pela manhã, e arroz com feijão nas demais refeições. A maioria dos trabalhadores era de mesmo de Codó e estava há cerca de dois meses na fazenda.

“Todas as irregularidades e ilegalidades constatadas constituíram total desrespeito a condições mínimas de dignidade da pessoa humana, distanciando-se da função social da propriedade e ferindo assim, além dos interesses dos trabalhadores atingidos, também o interesse público”, explica Carlos Henrique da Silveira Oliveira, auditor fiscal do trabalho e coordenador da ação. As verbas rescisórias totalizaram mais de R$ 25 mil.

Por telefone, o deputado se disse surpreso ao ser informado pela reportagem sobre a libertação na Fazenda Bonfim. “Isso de trabalho escravo é novidade para mim. Até agora não tomei conhecimento desta situação, vou entrar em contato agora para saber o que houve”, disse.

PEC do Trabalho Escravo - A proposta de emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de propriedades onde trabalho escravo for encontrado e sua destinação à reforma agrária ou ao uso social urbano, deve ir à votação no dia 08 de maio. Os líderes da Câmara dos Deputados teriam acertado a entrada da matéria na agenda de votações.

Aprovada em dois turnos pelo Senado e em primeiro pela Câmara dos Deputados, a PEC está engavetada desde 2004, por pressão de membros da bancada ruralista e por falta de articulação por parte do próprio governo federal, que não foi capaz de furar o “bloqueio” imposto à proposta. Ela faz uma alteração ao artigo da Constituição que já contempla o confisco de áreas em que são encontradas lavouras usadas na produção de psicotrópicos. Se considerarmos as versões anteriores do projeto, a proposta está tramitando no Congresso Nacional desde 1995.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Enquanto o governo comemora o crescimento econômico, no Brasil de verdade...


Levantamento parcial divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que as ocorrências de trabalho escravo no campo tiveram aumento significativo no período de janeiro a setembro de 2011, na comparação com igual período do ano passado.

Neste ano, foram registradas 218 denúncias à CPT e ao Ministério do Trabalho, contra 177 em 2010, o que representa um aumento de 23%.

Para Antonio Canuto, secretário da coordenação nacional da CPT, os flagrantes cresceram devido ao aumento da fiscalização e à maior participação da sociedade, mas o número de trabalhadores vivendo em condições análogas à escravidão também cresceu.

“O sistema vai lançando mão de formas de trabalho arcaicas para obter cada vez mais lucro”, disse. Segundo ele, tais condições são encontradas com mais frequência no corte da cana-de-açúcar, na colheita de frutas como o tomate e na extração de madeira.

O número de pessoas resgatadas do trabalho escravo também passou de 3.854 em 2010 para 3.882 em 2011. De acordo com a CPT, a região Centro-Oeste concentrou quase 50% dos trabalhadores resgatados (1.914 do total), sendo 1.322 apenas em Mato Grosso do Sul. O maior crescimento, no entanto, foi verificado no Nordeste: a região, que registrou 19 ocorrências de trabalho escravo nos nove primeiros meses de 2010, foi responsável por 35 ocorrências no mesmo período de 2011 (aumento de 84%).

Crimes têm maior repercussão

De janeiro a setembro de 2011, 17 trabalhadores do campo foram assassinados no país, 32% a menos que o registrado em 2010 (25 mortes). Segundo a CPT, apesar da queda, os crimes ocorridos neste ano tiveram uma repercussão maior. “Os assassinatos tiveram uma ‘seleção’ de pessoas defensoras do meio ambiente”, disse Canuto.

O primeiro crime que teve grande repercussão foi o assassinato do casal extrativista Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro da Silva, no Pará, no dia 24 de maio. Três dias depois, o líder camponês Adelino Ramos, um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, foi morto em Rondônia. Em novembro, o cacique Nísio Gomes desapareceu da aldeia em que vivia na fronteira do Mato Grosso com o Paraguai.

De acordo com o levantamento da CPT, ao menos oito das 17 mortes estão diretamente relacionadas com a defesa do meio ambiente, e outras quatro se relacionam com comunidades (duas mortes de quilombolas e duas de indígenas).

Ameaças de morte

Segundo a análise da CPT, o número de pessoas ameaçadas de morte cresceu significativamente. Em 2010, houve registro de 83 pessoas ameaçadas, e em 2011 esse número saltou para 172 (aumento de 107%).

Para a entidade, esse crescimento é reflexo das ações que se desenvolveram após os assassinatos de maio, quando foi entregue à Secretaria de Direitos Humanos a lista dos ameaçados de morte na última década, destacando que as ameaças haviam se concretizado em 42 casos.