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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Excelências despontam no mundo do crime: com pompa e poder!

Completos seis anos de existência, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) descobriu o que já era de conhecimento público: é mais do que gravíssima a situação do poder judiciário no país.

Cada relatório feito mostra as vísceras de um poder que se acostumou a viver fora do mundo, acima de tudo e de todos: um poder fora da lei.

Dia após dia, novas manchetes, novas denúncias, mais e mais irregularidades afloram. Não estão localizadas em um ponto só, tomam conta do território inteiro; não se restringem a uma instância, mas se alastram pelo corpo todo, presentes que estão em todas as instâncias do poder judiciário brasileiro.

Se por acaso se disseminassem a partir de um ponto, seria fácil e rápido o tratamento, também se fosse um só tipo de manifestação da gravidade.

Pelo diagnóstico feito, o tratamento recomendado pouco está adiantando, o tempo está se esgotando, o médico está perdendo a convicção e o povo a paciência.

Não tratam os relatórios do CNJ de outra coisa, mas de fraude, estelionato, peculato, corrupção, desvio de verba, enriquecimento ilícito!

Tem mais: favorecimento, nepotismo, improbidade, contratos irregulares, grilagem de terras, contratação de pessoal sem concurso público, despesas pagas por prefeituras entre tantas.

Não, não estamos diante do crime organizado, de quadrilhas especializadas em práticas criminosas.

Não se espante! Isso é o poder judiciário nacional saído dos relatórios do CNJ!

Somente Augusto dos Anjos, poeta do “Monólogo de uma Sombra”, tem a imagem perfeita que se assemelha ao poder judiciário que sai desses relatórios:

A podridão me serve de Evangelho.../Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques/E o animal inferior que urra nos bosques/É com certeza meu irmão mais velho!” 

Apesar do CNJ não admitir, algo preocupante aflora desses relatórios: as práticas identificadas são condutas ilícitas planejadas, ilegalidades cometidas por quadrilhas organizadas e não somente as tradicionais condutas pontuais, cometidas à toa ou de forma individual.

Diante de tantas condutas criminosas, espalhadas pelo país a fora, o CNJ está quase que inviabilizado, diante de volume tão grande de processo.

O que era para ser uma instância de fiscalização e controle, tornou-se uma “delegacia de polícia”, com poucos atos a serem corrigidos, a maioria a ser apurado, denunciado e punido, com todo o rigor da lei.

O CNJ pensou que iria encontrar apenas simples desvios, que meros puxões de orelha resolveriam o problema.

Imaginou que no mundo de togas e paletós, palavras rebuscadas e expressões latinas, de tratamento por excelência e nobre iria encontrar, como diz Augusto dos Anjos, “a luz que os Céus inflama”, mas achou “somente...moléculas de lama e a mosca alegre da putrefação”.

São os atos das excelências no mundo do crime, com toda pompa e poder.

E agora, o que irão dizer as “excelências” diante de tais constatações?

Ainda continuaram no argumento fajuto de que não passam de intrigas de antidemocratas, de perseguidores “frustrados”, de alguns poucos que querem prejudicar a “imagem do judiciário”?

O que o CNJ está verificando, estarrecido, o povo já gritava dos telhados e ninguém do Estado dava ouvido. Mesmo ameaçado e sofrendo, mas não se calou, bateu, bateu, até que a pedra furou e vazou essa podridão!

A seguir, matéria extraída do sítio do Valor Econômico, reportagem de Juliano Basile e Maíra Magro, sob o título “CNJ traça mapa da corrupção na Justiça”.

Leia e compartilhe, através de comentários e envio aos contatos.

A matéria será dividida em duas partes, para facilitar a leitura.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Respeite! Aqui é uma casa de família!

Essa história aconteceu numa cidade de faz de conta, num Estado imaginário, cujos personagens são fictícios.

Qualquer semelhança com a realidade, não passa de mera coincidência.

O prefeito chama um dos funcionários mais jovens do município e o cumprimenta:

- Bom dia!

E começa a tecer enormes elogios ao funcionário, na frente dos demais:

- Eu quero dizer que você tem demonstrado grande capacidade e competência no desempenho de suas funções. Vejam vocês, esse rapaz entrou aqui como assessor, não faz um ano. Apesar de sua pouca idade, o que na época foi motivo de muito falatório, pois nem sequer tinha 18 anos completo, eu assumi a responsabilidade e apostei em você. E o que aconteceu? Apenas dois meses depois de chegar, você foi imediatamente promovido a supervisor, para calar a boca de tantos insatisfeitos, que não acreditavam na sua competência. Não demorou nem quatro meses mais e você logo foi designado chefe da seção. Provou tanto que era competente, que não demorou nem quatro meses e logo recebeu outra promoção: chefe de departamento. Hoje, nove meses após a sua admissão na prefeitura, você já é o nosso principal secretário, o mais influente,  e praticamente a pessoa mais querida entre os funcionários. Mais até do que eu, o que não me deixa nem um pouco com inveja, apenas muita satisfação, em ver as pessoas darem valor à competência, à honestidade, à dedicação. Como eu gosto de saber a opinião de nossos servidores, pergunto: você está satisfeito em trabalhar comigo, com as suas funções, com as suas promoções por merecimento e com o seu salário?

- Estou sim, papai!