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sábado, 13 de agosto de 2011

Brasil: liderança no ranking de ingestão de veneno!

O nosso país está prestes a alcançar uma controversa liderança: diante da alta de preço das commodities, o Brasil deve ser o primeiro lugar em arrecadação nas vendas de defensivos agrícolas, ultrapassando os Estados Unidos. Estima-se um crescimento em 10% no mercado brasileiro, com vendas superiores a US$ 8 bilhões, aproximadamente R$ 12,4 bilhões.

As informações são da Radioagência NP. Segundo a reportagem, o mercado brasileiro registrou US$ 7,3 bilhões aproximadamente R$ 11,3 bilhões - em venda de agrotóxicos no último ano. 

Dados da consultoria alemã Kleffmann mostraram que o Brasil teve um aumento do consumo de agrotóxicos de 1,5% entre 2004 e 2009, sendo que as lavouras em que se concentram as maiores vendas de agrotóxicos no Brasil são a de soja com 44%, seguida pelo algodão com 11%. 

No mesmo período, os EUA reduziram seu consumo de venenos em 6%. Vale lembrar que os estadunidenses possuem uma área cultivada 50% maior que a brasileira e produz três vezes e meio mais grãos que a nós.

Como se não bastasse, segundo dados da Organização das Nações Unidas, pelo menos dez variedades de agrotóxicos vendidos livremente aos agricultores no Brasil, não circulam na União Européia e Estados Unidos. Ou seja, somos um dos principais destinos de venda de venenos que são proibidos em outros países. 

A indústria de agrotóxicos no Brasil é poderosa e concentrada: Dominada por apenas 13 empresas, elas são responsáveis pela movimentação de cerca de US$ 48 bilhões ao ano no mundo e US$7,1 bilhões no Brasil. Em 2009, o país contava com 2.195 marcas de agrotóxicos registradas, relacionadas a 434 tipos de agrotóxicos. Naquele ano, foram vendidas 789.974 toneladas de defensivos. 

Não existe uso seguro destes venenos em nosso País. Os agrotóxicos são impostos pelo agronegócio para a manutenção do latifúndio, à revelia dos impactos à saúde humana e para o meio ambiente. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados oficiais. Doenças, reações alérgicas e até mesmo a morte de agricultores e consumidores de alimentos já são registrados em alguns Estados brasileiros. 

Precisamos aumentar o quadro técnico de servidores da Anvisa, responsáveis pela fiscalização e avaliação destes venenos. Este órgão conta apenas com 23 técnicos e quatro gestores, quadro numérico que limita a atuação do Estado frente ao problema. Eles sofrem até da própria Justiça que cada vez mais interfere com ações judiciais impetradas por empresas fabricante de agrotóxicos contra a própria Anvisa e suas avaliações técnicas.

Como parlamentar, participo da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. Precisamos estimular a agroecologia como alternativa e isso significa optar por outro modelo de desenvolvimento no campo brasileiro, que garanta alimentos saudáveis para a nossa população.

Autor: Valmir Assunção (Dep. Federal e membro do MST)
Carta Capital

Quanto veneno o brasileiro consome?

Ainda não existem dados precisos sobre a quantidade de veneno que o brasileiro ingere diariamente, mas a quantidade de agrotóxico produzida, vendida e usada na agricultura como defensivo é assustadora.

Por conta do agronegócio, não existe no país qualquer tipo de regulamentação sobre o uso de agrotóxico – quantidade/qualidade, permitindo-se em nosso território até mesmo a utilização de produtos proibidos em outros países, por conta de ter sido verificado enormes prejuízos causados à saúde humana e ao meio ambiente.

Não à toa o Brasil se tornou uma terra sem lei para esses produtos. O uso sem regulamentação está associado a uma poderosa indústria, concentrada, atrelada diretamente ao agronegócio, ao tipo de capitalismo predatório e selvagem que se instalou no campo brasileiro, que agrega, além disso, a degradação ambiental, trabalho escravo ou extenuante, grilagem de terras e violência contra populações rurais, tradicionais, indígenas e quilombolas.

E pensar que o governo brasileiro financia, com dinheiro do povo, tal tipo de empreendimento!

Para os governantes, pouco interessa os resultados, os problemas para a saúde pública e para o meio ambiente. Nesse momento, o que importa é o lucro, é a exportação a qualquer custo, é o superávit primário, é a balança comercial, palavras que se estão geralmente associadas a ações sistemáticas de violação de direitos humanos.

Com raríssimas exceções, que pouco incentivo recebem do governo, essa prática do uso descontrolado de agrotóxico contaminou por completo a agricultura brasileira.

Agora está na hora do basta!

Está na hora da sociedade exigir do governo uma postura mais decidida, regulamentando o uso do agrotóxico, incriminando práticas, fiscalizando melhor o nível de contaminação dos alimentos, sob pena de se acumular problemas para as gerações presentes e futuras.

Estabelecer ainda como um dos critérios para a concessão de crédito a adequação às normas de saúde pública e proteção ambiental, até mesmo como forma de incentivar práticas alternativas ou de uso controlado, com produtos que passem necessariamente por controle de qualidade, em que se excluam aqueles de potencial dano à saúde humana e ao meio ambiente.

A seguir, artigo de Valmir Assunção, publicado na Carta Maior, sobre uma liderança incômoda que o país está assumindo: líder de ingestão de veneno.

Leia, não se esquecendo de compartilhar, através de comentários e envio aos seus contatos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Matadouro público: lugar de imundície e contaminação!

Abaixo, trechos dos depoimentos dos moradores que residem nas imediações do matadouro público de Vargem Grande, que conhecem na própria pele essa situação de desrespeito e descaso aos seus direitos e à saúde pública do município:

- Só suporto o fedor porque é o jeito. Não dá nem gosto de receber alguém em casa. A carne é transporta num trator, numa carroça. Acho que as fezes, urinas e sangue do animal são jogados avulso (Luzia Teixeira).

- O matadouro é terrível, é muito ruim. O gado é morto em cima do couro, sangue para todo lado. As fezes, urina e sangue do animal morto é jogada numa barroca, que tem um muro feito de tijolo. Daí segue para um açude feito para receber essas coisas. Em seguida, vai para o riacho, conhecido como riacho dos macacos. Depois cai no rio preto, a poucos metros acima de onde a Caema retira água para servir a população de Vargem Grande (Antonio José Martins).

- O fedor do matadouro é demais, as crianças nem pode brincar à tarde, por conta do fedor que é demais. Tem muita mosca nas casas. Acho que um animal não deve ser abatido daquele jeito. Os funcionários não usam roupa adequada, usam roupa comum. A carne é jogada dentro do baú de qualquer jeito. As fezes, urinas e sangue são jogados num rego, que cai num açude e acaba no riacho, onde as pessoas lavavam roupa e tomavam banho. Já fizemos um abaixo-assinado e levamos para a casa do prefeito, para que resolvesse o problema. A única coisa que foi feito foi uma barroca, para conter as fezes e urinas. (Raimundo Francisco Sousa).

- Muitas pessoas não querem nem ir nas nossas casas, por conta do mau cheiro. Muita mosca, que incomoda muito. As crianças estão afetadas por muitas coceiras. Eu vejo o boi quando entra lá, o local fede muito, eu de vez em quando pegava o fato do boi lá. Mas por conta da imundície, deixei de pegar (Cecilene Menezes).

- Moro mais próximo ao matadouro, a 150 metros. Já estou pensando em vender a minha casa, pois o mau cheiro é enorme. Tem criança em casa, e tenho medo delas pegar alguma doença. Quando chega o verão, o mau cheiro é pior ainda. Tem animal que é abatido poucas horas depois que chega. O animal é transportado em carroça, outras vezes é tangido. Já vi animal com perna quebrada sendo abatido, com ferimento. Uma vez um gado com a perna quebrada foi abatido e a carne foi distribuída para o povo. O gado é morto com machado, esfaqueado e cortado em cima do couro. Os funcionários trabalham sem qualquer proteção. Afirmo que o prefeito tem conhecimento dessa situação (Elivaldo da Silva Costa)

- Estou aqui como representante do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde. Esse problema não é de hoje, mas vários anos. Quando fizeram o matadouro lá, já existiam residências lá. Na época, fizeram uma canaleta trazendo o esgoto do matadouro para dentro da cidade, passava praticamente na frente da minha casa. Na época o caso foi discutido na câmara de vereadores e foram lá, depois disseram que não existia problema algum. Então resolvemos interditar a rua. Retiraram o esgoto da nossa rua e jogaram para a rua mousinho. Apenas isso, mas o mau cheiro continua, cachorros pegam restos de animal e come. Os vereadores sabem do problema. A ex-prefeita sabia do problema, o atual prefeito sabe do problema. As autoridades sabem do problema, mas não tomam providência porque o povo ainda não se manifestou. Como eles, autoridades, não estão sendo incomodados, não estão sendo prejudicados pelo mau cheiro, não fazem nada. No meu relatório informei que o esgoto do matadouro cai no riacho, que é usado pelas pessoas (Flávio Henrique)

- quando cheguei na rua do Mousinho tinha umas quatro casas, mas já afetava todos, até de outras ruas. Afirma que a prefeitura mandou um trator para cavar um buraco no fundo do matadouro e mudou o esgoto do matadouro da rua para esse buraco. O fedor é muito grande. Falei com um auxiliar do prefeito sobre isso e nunca tomaram providência. Quanto ao percurso que os dejetos dos animais fazem, posso dizer com certeza: cai no buraco que foi feito pela prefeitura, depois vai para o açude. Em seguida, cai no riacho dos macacos, vai para o riacho do alagadiço e despeja no riacho do soldado. Depois de tudo isso, cai no rio guará, afluente do rio preto, a poucos metros da bomba da Caema. As pessoas que trabalham no matadouro não têm uniforme, trabalham com qualquer roupa. Já vi animal com a perna quebrada, com ferida, com o bucho para estourar ser abatido no matadouro, pois não tem fiscalização. Deixei de trabalhar para vir nessa reunião, pois não sou afetado diretamente pelo matadouro, sou afetado por tomar água com a sujeira do matadouro, tanto em Vargem Grande, quanto em Nina Rodrigues (Raimundo da Silva Costa) 

terça-feira, 29 de março de 2011

A Saga da Amazônia

Vale o dia ouvir e refletir sobre essa canção de Vital Farias, lançada em 1982, no disco Sagas Brasileiras, que contém outras canções de sucesso, como Sete Cantigas para Voar e Ai que saudade d”ocê.

Vital Farias  nasceu no sítio Pedra d'Água, município de Taperoá, Estado da Paraíba, no dia 23 de janeiro de 1943, onde viveu até a conclusão do curso ginasial. Caçula entre 14 irmãos, Vital alfabetizou-se com as irmãs.

Aos 18 anos mudou-se para a capital do Estado da Paraíba, João Pessoa, onde prestou o serviço militar no 15º Regimento de Infantaria. Ao deixar o serviço militar continuou em João Pessoa e deu prosseguimento aos seus estudos no Lyceu Paraibano. Nesse período começou a estudar violão por conta própria. Depois passou a dar aulas de violão e de teoria musical no Conservatório de Música de João Pessoa.

Em 1975 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde participou de vários e importantes eventos artísticos, entre os quais a peça “Gota d’água”, de Chico Buarque de Hollanda.

Em 1976 prestou vestibular para Faculdade de Música, formado-se em 1981. Em 1978 gravou seu primeiro disco “Vital Farias”. O segundo, “Taperoá”, surgiu dois anos depois.

Em 1982, dez anos antes da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, denominada  ECO 92, ocorrida no Rio de Janeiro, lançou o álbum Sagas Brasileira, onde está incluída a canção Saga da Amazônia, quando já alertava sobre os graves problemas existentes na Amazônia, principalmente o desenvolvimento predatório, destruindo o meio ambiente, matando e expulsando seus povos.

Foi candidato duas vezes ao Senado Federal pelo Estado da Paraíba, em 2006 e 2010, pelo Psol e PCB, respectivamente.

Seu último disco foi lançado em 2002, com título sugestivo "Vital Farias ao vivo e aos mortos vivos".