Em matéria publicada no dia de ontem em seu blog, o jornalista Itevaldo Jr noticia investigações que estão em andamento, feitas por órgãos federais de controle e polícia federal, cujo objetivo é desmontar um esquema escandaloso a envolver deputados, ex-deputados e prefeitos maranhenses.
Em jogo, o financiamento do processo eleitoral, a administração posterior dos recursos públicos, a indicação e provável percentagem nas emendas parlamentares.
Como integrantes desse esquema e dutos por onde são canalizados os recursos para irrigar as campanhas eleitorais, bandos de agiotas.
Não é à toa que comumente se ouve falar que para campanha eleitoral dinheiro não é problema, problema é encontrar voto.
Talvez seja por isso que os prefeitos reclamam tanto da falta de recursos, só vivem com o pires na mão, viajam continuamente para Brasília, em busca de recursos, alegando a insuficiência dos repasses, de que antes de garantir as promessas de campanha, é preciso “arrumar a casa”, atividade doméstica que consome o mandato inteiro.
O crime de usura, mais conhecido como agiotagem, tipificado em lei, não condiz mais com a realidade dos fatos, pois hoje é uma das matrizes do financiamento de campanhas eleitorais, motiva a negociação de emendas parlamentares e sujeita os recursos públicos a enormes desvios, diga-se da saúde e educação principalmente, para pagar de forma criminosa um empréstimo criminoso.
Nesse sentido, a legislação precisa ser alterada, não só com o aumento significativo da pena, como instituindo mecanismos mais modernos para que a investigação e punição do crime alcancem resultados satisfatórios para a sociedade.
Dos órgãos públicos espera-se, principalmente do Ministério Público que recebe dinheiro específico para essa função, que encarem com mais seriedade o processo eleitoral, o seu desenrolar e a prestação de contas final.
As campanhas são milionárias e as prestações de contas apresentadas pelos candidatos, ao final do pleito eleitoral, não passam de obra de ficção, só crendo nelas quem acredita na existência de papai noel, mula sem cabeça e saci pererê.
Para o leitor, um alerta: campanha rica, com muitos gastos, é sinal de endividamento, a ser pago posteriormente, cuja garantia é o dinheiro público, a ser retirado de forma criminosa da saúde, da educação, do saneamento, dos salários dos servidores, para o pagamento da agiotagem.
Ou seja: é um tributo criminoso, retirado de cada política pública, para garantir o pagamento, a alegria e a felicidade do agiota.
Nada melhor do que o poema de Ezra Pound, "com a usura", para se perceber o real alcance desse crime na vida das pessoas, como a tragédia se desenvolve no dia a dia.
A seguir alguns trechos do poema:
Com a usura nenhum homem tem casa de pedra firme
de blocos bem talhados
e bem lisos
para o desenho os recobrir na face,
com a usura
nenhum homem tem um paraíso pintado na sua igreja
...
com a usura, pecado contra a natureza,
o teu pão é feito cada vez com piores farrapos
o teu pão é seco como o papel,
sem trigo da montanha, sem boa farinha
com a usura o traço torna-se grosseiro
com a usura não há fronteiras
e nenhum homem pode achar um lugar para a sua casa.
0 pedreiro fica longe da sua pedra o tecelão longe do seu ofício.
...
e bem lisos
para o desenho os recobrir na face,
com a usura
nenhum homem tem um paraíso pintado na sua igreja
...
com a usura, pecado contra a natureza,
o teu pão é feito cada vez com piores farrapos
o teu pão é seco como o papel,
sem trigo da montanha, sem boa farinha
com a usura o traço torna-se grosseiro
com a usura não há fronteiras
e nenhum homem pode achar um lugar para a sua casa.
0 pedreiro fica longe da sua pedra o tecelão longe do seu ofício.
...
A usura mata a criança ainda no ventre
Ela corta a carreira aos jovens
Ela leva à cama a paralisia, ela está deitada entre a jovem desposada e o seu esposo.
Ela corta a carreira aos jovens
Ela leva à cama a paralisia, ela está deitada entre a jovem desposada e o seu esposo.
A seguir, a reportagem de Itevaldo Jr e a dúvida de quem seria o ex-deputado, hoje prefeito, envolvido em esquema de agiotagem, sob a mira da Polícia Federal.
Os Cheques e os Deputados
Por Itevaldo Júnior
www.Itevaldo.com
Investigações de órgãos federais de controle e da polícia analisam a movimentação financeira das contas de 10 prefeituras maranhenses, que tinham [e têm] talões de cheques assinados pelos prefeitos em poder de deputados e de ex-deputados estaduais.
O uso de cheques das prefeituras – alguns de contas-convênio de programas federais – por parlamentares estaduais, pôs na lista de investigados cinco parlamentares com mandato e três que são ex-parlamentares, um deles é hoje prefeito.
Os cheques foram utilizados no pagamento de negócios diversos. Alguns deles negociados por agiotas que ‘financiam’ as campanhas parlamentares.
Dois parlamentares ‘guardam” consigo, talões de cheques de duas prefeituras distintas. Um deles está com todos os cheques assinados pelos dois prefeitos.
Chegou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) um ‘pedido de informações’ sobre algumas das contas dos deputados estaduais.
