CONGRESSO

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Brasil na encruzilhada: educação pública de qualidade ou "circo da copa"!

Autor: Jorge Portugal(*)

Passei, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.

Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.

Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?

E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao Senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal (clique aqui para ler e divulgar).

Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.

O outro projeto, do mesmo Cristovam, é uma verdadeira “bomba do bem”. Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da República serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino” (clique aqui para ler e divulgar).  

E então? Já imaginaram o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas, sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. E ninguém sabe dele.


(*) Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador de TV. Idealizou e apresenta o programa "Tô Sabendo", da TV Brasil.

2 comentários:

José Atailson, José ribamar Lisboa e José Ribamar Garcia... disse...

Educação Pública de qualidade exige prioridade e esforço coletivos tanto da parte do governo quanto da sociedade civil organizada ou não. Isto vai mexer com interesses daqueles que lucram com a alta baixa da qualidade na educação pública brasileira. quando alguem surgerem projeto e programa que visem transformar a realidade da EB, é demitido e as proposições ficam cerradas às sete chaves. Mas que fique claro: o Brasil é nosso, dos 193 milhões de brasileiros.Redes e Foruns da Cidadania do Maranhão, Núcleo de Pte. Vargas

Anônimo disse...

O futebol no Brasil só se tornou importante por que o povo o popularizou!
A educação só vai ser prioridade quando esse memsmo povo, assim como faz um campo de futebol em cada bairro, fizer uma denuncia para cada irregularidade encontrada.
Juntos podemos direcionar as políticas publicas para onde queremos e realmente precisamos!
Ivan Sousa, Belágua-MA