CONGRESSO

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Relatos do campo de guerra II: até quando vamos ficar na praça, dando milho aos pombos?

As anotações abaixo não são feitas por um correspondente de guerra, muito menos um agente humanitário em campo de refugiado.

Quanto ao casebre que aparece nas imagens ao lado não confunda com uma moradia do Afeganistão ou do Iraque, países invadidos por forças estrangeiras que lhes declararam guerra, cujas residências civis são constantemente bombardeadas (clique aqui e veja todas as imagens).

Muito menos se trata de um asilo de um dos campos de refugiados da África, Somália ou Quênia, em estado de guerra civil há anos.

Essa “casa de taipa” está localizada no Maranhão, no município de Barra do Corda, no povoado Olho D’água dos Crispins, distante 18 km da sede, e está registrada como sendo uma escola pública (código 21268100), cuja regulamentação/credenciamento está em tramitação, conforme informações prestadas pelo próprio município de Barra do Corda no Censo Escolar 2.011, publicadas no Diário Oficial da União em 22 setembro de 2.011 e disponibilizada pelo governo federal no sítio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Autor do relato: Paulo Bandeira, militante social de Barra do Corda.

Tudo se pode dizer - afronta aos direitos humanos, irresponsabilidade administrativa, prova do roubo do dinheiro público, falta de vergonha ou “canalhice”. E mais: é o retrato mais fiel da visão dos mandatários de plantão. 


Não têm pena, nem dó. Acima de tudo, estão os seus interesses, bem definidos: enriquecer, enriquecer, mesmo que seja à custa da pobreza, sofrimento e miséria do povo.

Quem não se lembra da entrevista do ex-senador João Alberto à revista Carta Capital, em 2006, quando afirmou que os maranhenses gostam de morar em casa de taipa, porque isso faz parte da cultural no meio rural que descende de índios e negros?

Ou a afirmação de Jorge Murad, esposo de Roseana Sarney, no jornal O Imparcial, quando era secretário de governo, de que não via nenhum problema na pessoa morar em casa de taipa?

Se já causam indignação essas afirmações, em se tratando de casas, o que se sentirá quando o caso disser respeito ao local de funcionamento de uma repartição pública?

Alegação de que não existem recursos para a construção de uma escola de qualidade deve ser entendida apenas como um indício de corrupção.

Vejamos: de janeiro de 1998 até outubro de 2011, foram transferidos para o município de Barra do Corda R$ 198.220.375,98 ( cento e noventa e oito milhões, duzentos e vinte mil, trezentos e setenta e cinco reais e noventa e oito centavos), recursos públicos alocados no Fundef (R$ 68.842.852,01) e no Fundeb (R$ 128.377.523,97), segundo informações da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Recursos destinados a promover uma educação pública que garanta qualidade, remuneração adequada e digna aos profissionais, bem como investimentos necessários na capacitação e infra-estrutura escolar, entre outras coisas.

Caso os recursos tivessem sido aplicados corretamente, como determina a lei, o gestor municipal teria à sua disponibilidade uma quantidade significativa para investir em cada escola pública de Barra do Corda, das 122 registradas junto ao Governo Federal, algo em torno de R$ 649.902,87 ( seiscentos e quarenta e nove mil, novecentos e dois reais e oitenta e sete centavos).

Quanto a alimentação escolar, as crianças foram devidamente cadastradas no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação  (FNDE), com transferência regular de recursos para garantir uma alimentação de qualidade, suficiente e necessária para o seu desenvolvimento.

Como explicar essa dura realidade, em que crianças e adolescente, protegidos por leis, fiquem à mercê de administradores que apenas desrespeitam sem dó nem piedade os seus direitos, subtraindo-lhes, além dos recursos, a esperança, o presente e o futuro?

Nada melhor para explicar os motivos de existir tantas casas e escolas de taipa no Maranhão do que das investigações feitas pela Polícia Federal, operação deflagrada no começo do ano, em que o prefeito do município de Barra do Corda, conhecido como “Nenzim”, foi apontado como chefe de uma quadrilha que saqueava os cofres públicos, tendo como co-autores os seus familiares.

Ou seja: casas e escolas de taipas para o povo, para que assim possam sobrar recursos para “mansões cinematográficas”, carros de luxo, helicópteros e fazendas.

Não existem mais dúvidas: violação de direitos e corrupção são "unha e carne" do mesmo sistema de poder!

6 comentários:

Anônimo disse...

Eo pior disso tudo é que ninguém faz nada, principalmente estes b andidos chamados políticos que só legislam em causa própria, o judiciário que nunca julga nada, só o que interessa pra eles, a promotoria pública que não cobra aquilo de direito dos que precisam para sobreviver, então nós povo temos que ir pra rua lutar com todas nossas forças contra estes que só querem violar os direitos humanos.
NDDC de SBRPrêto-MA

maria josé santos lima disse...

Ao ler Campo de Guerra l, a principio,fiquei curiosa querendo saber de quem era o relato, de onde seria a tal escola.Imediatamente me dei conta de que isso não é o mais importante.Afinal essa foto e essa situação é copia fiel de tantas outras no Maranhão a fora. O relator diz que nunca estudou num ambiente tão desumano. Pois eu já. Há 35 anos atrás, segurei no lapis pela primeira vez num lugarzinho como esse. A primeira tarefinha da turma era enxotar os porcos do casebre. Era dificil fazer a lição e matar as pulgas que queriam sugar as ultimas gotas de sangue dos barrigudinhos. Isso a 35 anos atrás. De lá para cá são campanhas, promessas, programas, leis e milhões.E hoje, ainda hoje, uma professa, colega de trabalho, me falando sobre sua rotina lá num povoado de itapecru disse: "Antes de começar a aula eu e as crianças vamos buscar agua pra beber e fazer a merenda(quando tem).Ida e volta são uns dois quilometros.Elas ajudam para da tempo da aula". Até quando você relator, irá Vê, e eu reviver a violação do direito básico da educação de qualidade para todos?De braços cruzados, não dá mais!

jo disse...

SISTEMA DE LADRÕES, CRIME ORGANIZADO, ASSASSINOS SOCIAIS, CORJA DE BANDIDOS, TENHO Q ME CONTER PRA NÃO PRA SUJAR MEU COMENTÁRIO. PORÉM É IMPOSSÍVEL FICAR CONTIDO E CALADO EM MEIO A TANTA ROUBALHEIRA, SACANAGEM E CANALHICE.O Q SE PODE FAZER?
SABEMOS QUEM ELES SÃO, ONDE PRESTAM EXPEDIENTE(OFICIALMENTE) O Q FAZEM E DEIXAM DE FAZER, ONDE MORAM ENFIM, TEMOS Q IR PRA RUA DENUNCIAR, ENFRENTAR E ASSIM CONQUISTAR DIREITOS E MAIS ESSA REAÇÃO TEM Q PARTIR DO POVO DO PEQUENO, DO POBRE, POIS A MÁXIMA DO CANCIONEIRO É VERÍSSIMA:" EU ACREDITO QUE O MUNDO VAI SER MELHOR QUANDO O MENOR QUE PADECE ACREDITAR NO MENOR" JUNTOS SOMOS MAIS! VIVA A CIDADANIA CONSCIENTE E PERMANENTE!!!!!!

JOZIMAR BEZERRA

Anônimo disse...

É uma vergonha para o país e principalmente para o maranhão, situações como essa e tantas outras vem acontecendo em nosso estado.
Gostaria de levantar alguns questionamentos: Onde estão os pais desses alunos que não reivindicam melhores condições para a educação de seus filhos? Onde está o poder judiciário que não toma providencia sobre esse fato? Será que o prefeito desse município colocaria seus filhos para estudarem nessa "escola"? Já está mais do que na hora de banir estes políticos corruptos que violam os direitos humanos e que só pensam em se beneficiar com o dinheiro público.

pedro, são bernardo.

José Atailson P. dos Santos disse...

Existe a compreensão para além do ridículo e do absurdo?É abominável, inaceitável viver no Maranhão onde as autoridades confundem cultura com dominação selvagem. Miséria, fome,corrupção, acobertadas pelo Pode Judiciário penalizador da sociedade civil. Roubar dinheiro da educação básica é crime e todo mundo sabe disso, menos os magistrados maranhenses, pois são eles, em parte, os culpados de se verificar situações como esta de Barra do Corda. Aqui em presidente Vargas, no,povoado Estiva dos Cotós, há uma sala de aula, em casa de taipa, cujo teto está caindo e as crianças todos os dias frequentam aula nesta escola. Infelizmente, em todos os municípios deste estados encontramos escolas como esta da reportagem. Muitas ações já foram protocoladas na justiça, mas não são julgadas e, quando são, o favorecido é o ladão do gestor com sua quadrilha. Mas a cada dia organizamos a luta de nós, povo, para efetivar o direito a uma boa educação. RFDC-MA. N. Pte. Vargas

Ianaldo Pimentel disse...

SE FIZER UMA PESQUISA EM TODOS OS MUNICÍPIOS DO MARANHÃO VAMOS ENCONTRAR ESSA MESMA REALIDADE, É POR ISSO QUE NOSSA LUTA DEVE SER ESTADUAL, "O MARANHÃO NOSSO CHÃO DE LUTA".É PRECISO QUE O POVO TENHA O CONTROLE, PARTICIPANDO, FISCALIZANDO A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICO.
QUANTAS CRIANÇAS MORRERAM POR FALTA DE OPORTUNIDADE??? ESSA GUERRA NÃO PODEMOS MAIS PERDER.
QUE POMBOS? ESQUECERAM QUE A VIOLENCIA TOMOU DE CONTA DAS PRAÇAS...
REDE DE DEFESA, NÚCLEO DE CANATNHDE