CONGRESSO

domingo, 28 de agosto de 2011

Corrupção e política: as duas faces da mesma moeda!

Abaixo, artigo de Frei Betto, publicado no sítio da Adital, sobre a relação existente entre corrupção, violação de direitos e política.

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Corrupção: endemia política

A política brasileira sempre se alimentou do dinheiro da corrupção. Não todos os políticos. Muitos são íntegros, têm vergonha na cara e lisura no bolso. Porém, as campanhas são caras, o candidato não dispõe de recursos ou evita reduzir sua poupança, e os interesses privados no investimento público são vorazes.

Arma-se, assim, a maracutaia. O candidato promete, por baixo dos panos, facilitar negócios privados junto à administração pública. Como por encanto, aparecem os recursos de campanha.

Eleito, aprova concorrências sem licitações, nomeia indicados pelo lobby da iniciativa privada, dá sinal verde a projetos superfaturados e embolsa o seu quinhão, ou melhor, o milhão.

Para uma empresa que se propõe a fazer uma obra no valor de R$ 30 milhões – e na qual, de fato, não gastará mais de 20, sobretudo em tempos de terceirização – é excelente negócio embolsar 10 e ainda repassar 3 ou 4 ao político que facilitou a negociata.

Conhecemos todos a qualidade dos serviços públicos. Basta recorrer ao SUS ou confiar os filhos à escola pública. (Todo político deveria ser obrigado, por lei, a tratar-se pelo SUS e matricular, como propõe o senador Cristovam Buarque, os filhos em escolas públicas). Vejam ruas e estradas: o asfalto cede com chuva um pouco mais intensa, os buracos exibem enormes bocas, os reparos são frequentes. Obras intermináveis...

Isso me lembra o conselho de um preso comum, durante o regime militar, a meu confrade Fernando de Brito, preso político: "Padre, ao sair da cadeia trate de ficar rico. Comece a construir uma igreja. Promova quermesses, bingos, sorteios. Arrecade muito dinheiro dos fiéis. Mas não seja bobo de terminar a obra. Não termine nunca. Assim o senhor poderá comprar fazendas e viver numa boa.”

Com o perdão da rima, a ideia que se tem é que o dinheiro público não é de ninguém. É de quem meter a mão primeiro. E como são raros os governantes que, como a presidente Dilma, vão atrás dos ladrões, a turma do Ali Babá se farta.

Meu pai contava a história de um político mineiro que enriqueceu à base de propinas. Como tinha apenas dois filhos, confiou boa parcela de seus recursos (ou melhor, nossos) à conta de um genro, meio pobretão. Um dia, o beneficiário decidiu se separar da mulher. O ex-sogro foi atrás: "Cadê meu dinheiro?” O ex-genro fez aquela cara de indignado: "Que dinheiro? Prova que há dinheiro seu comigo.” Ladrão que rouba ladrão... Hoje, o ex-genro mora com a nova mulher num condomínio de alto luxo.

Sou cético quanto à ética dos políticos ou de qualquer outro grupo social, incluídos frades e padres. Acredito, sim, na ética da política, e não na política. Ou seja, criar instituições e mecanismos que coíbam quem se sente tentado a corromper ou ser corrompido; ‘A carne é fraca’, diz o Evangelho. Mas as instituições devem ser suficientemente fortes, as investigações rigorosas e as punições severas. A impunidade faz o bandido. E, no caso de políticos, ela se soma à imunidade. Haja ladroeira!

Daí a urgência da reforma política – tema que anda esquecido – e de profunda reforma do nosso sistema judiciário. Adianta a Polícia Federal prender, se, no dia seguinte, todos voltam à rua ansiosos por destruir provas? E ainda se gasta saliva quanto ao uso de algemas, olvidando os milhões surrupiados... e jamais devolvidos aos cofres públicos.

Ainda que o suspeito fique em liberdade, por que a Justiça não lhe congela os bens e o impede de movimentar contas bancárias? A parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Os corruptos sabem muito bem o quanto ele pode ser agraciado ou prejudicado.

As escolas deveriam levar casos de corrupção às salas de aula. Incutir nos alunos a suprema vergonha de fazer uso privado dos bens coletivos. Já que o conceito de pecado deixou de pautar a moral social, urge cultivar a ética como normatizadora do comportamento. Desenvolver em crianças e jovens a autoestima de ser honesto e de preservar o patrimônio público.

Frei Betto
Escritor e Assessor de Movimentos Sociais

3 comentários:

José Atailson, Ribamar lisboa, Josinaldo,Raimunda Figueiredo disse...

Este Artigo de Frei Beto "Corrupção e política: as duas faces da mesma moeda"apresenta, com clareza, os dois sustentáculo de proteção a bandidos: impunidade e imunidade.Equanto houver leis que protejam bandidos ditos representantes do povo no Congresso Nacional,o dinheiro público sempre escapará pelas empresas fantásmas, pelos bolsos dos laranjas, pelos projetos que nunca sairam do papel... e coisa do gênero.Para estes, vergonha se alimenta do dinheiro dos pesados impostos. Enquanto isso, a precariedade dos serviços públicas seifam vidas diariamente, sobretudo a dos mais pobres. Hoje iniciamos a nossa reunião lendo este texto,depois continuamos a leitura do relatório do TCE-MA que, por unanimidade, desaprovaram as Contas do município de Pte. Vargas referentes ao exercío financeiro de 2008.Há coisa absurdo: Posto de saude construido em um povoado inexistente,contratação e pessoal em carater excepcional, sem base legal,apenas 22,95% dos 25% exigidos pela CF-88, foi aplicado na educação;dos recursos do fundeb, apenas 58,31% dos 60% foi aplicado em pagamento de professor; inexistencia de documentos basicos como planilha de previsão de gastos, atas de conselhos, inexistencia do conselhos do fundeb, Anexos citados, mas não acostados;contador cujo registro não se verifica no Conselho Estadual de Contabilidade, divergência de resultados na contabilidade; enfim, roubo mesmo. Se nós não combatermos essa prática, morreremos a míngua. Com a luta nas ruas ninguém pode nos calar. Núcleo da Rede de defesa da cidadania de Pte. Vargas.

virginia disse...

O que percebemos,é que se parece costume nesse país, principalmente no Maranhão a roubarem o dinheiro do povo, e sempre saírem impunem de suas ações . Ações estas que também roubam junto com o dinheiro o sonho de nosso povo.Isso é que tem que acabar , apenas costumes que alegram o dia ,a dia de nosso povo que devem ser conservados.Prefeito que gasta o dinheiro público e não presta contas a população devem ir pra cadeia, pois é isso que está na lei, e caso o poder judiciário também seja conivente com esse erro como aconteceu aqui em Codó, também deveria sofrer a mesma punição.Vamos expulsar essas bandidos que roubam o sonho de nosso povo do serviço público.Virgínia, Codó.

Anônimo disse...

FAREI UMA PERGUNTA SIMPLES É DIRETA: QUAL É O FUTURO DE UMA SOCIEDADE DIRIGIDA POR LADÔES MUNIDOS DE IMUNIDADES E,IMPUNIS?