CONGRESSO

terça-feira, 22 de março de 2011

Faz escuro, mas eu canto!

Como ensinava o nosso querido e saudoso Paulo Freire: "Sonhar é um ato político necessário"

Muitos sonhos, expectativas, esperanças e desejos estão presentes nos corações e nas vidas de homens e mulheres que acreditam no projeto de sociedade que seja construção coletiva, onde haja de fato lugar decente para todos e todas.

Nascemos num país de muitas riquezas, onde povo e natureza podem conviver perfeitamente, base de um novo modelo de produção, em que o objetivo maior seja à garantia da dignidade para todos e todas, sem qualquer distinção!

Esse é o grande sonho, o sonho de muitas lutas, de muitas vidas e histórias: pátria livre de irmãos e irmãs!

Mas não é isso que observamos no cotidiano. Ao contrário, a realidade vista e vivida nas ruas, bairros, povoados, favelas e periferias por este país afora mostra uma desigualdade social cada vez mais cruel e escandalosa. A produção de riquezas gera sistematicamente ricos cada vez mais ricos e no pólo oposto, pobres explorados de forma desumana e degradante.

Exploração sem medida da natureza, aviltamento do trabalho humano, concentração de renda, desigualdade social e violação de direitos humanos são os pilares sobre os quais se ergue esse sistema econômico perverso, fazendo com que o Brasil não se livre dessa maldição que remonta à tragédia da colonização: um país, de fato, "um país para poucos", assentado na exploração violenta da maioria.

Contraditoriamente, as propagandas, tanto dos governos quanto das empresas privadas, mostram exatamente o oposto: crescimento, sucesso, desenvolvimento, riqueza, sorte e felicidade geral. 

Na verdade cumprem um papel, uma função, de servir como forma de alívio, consolo e conforto para as almas que sofrem, que padecem nesse mundo sem alma. Assim, ao não perceber e nem sentir a dor da exploração e do sofrimento, se esquecem que os mesmos de sempre, através da propaganda exaustiva do consumo e do ter sem medida, estão no controle para continuar ganhando sempre.

Apesar dos fatos, precisamos nos levantar e ousar, tal como nos ensina e anima Thiago de Melo, no poema Madrugada Camponesa: “faz escuro (já nem tanto)/vale a pena trabalhar/faz escuro, mas eu canto/porque a manhã vai chegar”.

Precisamos trabalhar para romper as cadeias que nos apriosionam, que nos isolam, que nos amedrontam, que nos fazem desanimar, que nos retiram e negam os direitos fundamentais ao reconhecimento da nossa existência enquanto pessoa humana.

Nesse sentido: sonhar é preciso!

No entanto, quando o sonho de uma nova sociedade está na cabeça apenas de um indivíduo, não tem efeito imediato, não produz ou traz resultado. Quando este sonho começa a ocupar espaço em muitos corações e mentes, aí se criam as possibilidades concretas de sua realização, de haver mudança e transformação da realidade.

O sonho, agora coletivizado pela adesão, passa a mexer na ordem das coisas, na maneira como o cotidiano foi estruturado e estabelecido. Converte-se em ato político à medida que vai fazendo as pessoas se preocuparem e se indignarem com as suas condições reais de vida e existência, com os seus direitos de seres humanos negados e violados a todo instante, roubando a possibilidade de uma vida feliz.

Começa a existir de fato quando se traduz em organização social. Efetiva-se à medida que se instrumentaliza e provoca atitude, gesto, iniciativa, ação concreta em prol do bem comum, com objetivo claro e determinado de melhorar as condições de existência humana e da natureza.

Temos, assim, um grande desafio pela frente: vencer o isolamento, as ações desarticuladas e sem consequência, a falta de comunicação existente entre os oprimidos, que dificultam identificar e, em decorrência, romper as cadeias da opressão.

Como sabemos de longa história, somente povo organizado constrói uma nova história, dando-lhe o sentido da justiça, reinscrevendo-a dentro dos princípios da fraternidade, igualdade e liberdade. 

Nesse sentido, a construção de uma organização popular, tendo como base um movimento social forte e ativo, exige necessariamente a constituição de uma rede de formação e de circulação de informações, capaz de dar visibilidade às iniciativas tomadas, aos instrumentos de ação social utilizados, aos conhecimentos produzidos, às reflexões e avaliações feitas, formas singulares de escrever a história dos pobres, oprimidos e explorados.

Da necessidade de qualificar a luta social nasce mais esse espaço de in-formação das ações e lutas sociais. Talvez para alguns seja mais um endereço eletrônico e nada mais. Para aqueles que acreditam na sua construção, é mais um instrumento de luta, para dar visibilidade e vez à voz dos oprimidos que não se rendem, não se curvam, não aceitam a opressão como destino. 

No fim das contas, uma reflexão se impõe, com o respeito necessário: por trás existe um povo, que faz e quer contar a sua história!!!

Um comentário:

Iran Avelar disse...

SERA QUE OS AMIGOS PODERIAM DIVULGAR NUMA POSTAGEM A NOTICIA DO LINK ABAIXO:
http://urbanosantos.blogspot.com/2011/03/micro-onibus-do-transporte-escolar-de.html