CONGRESSO

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Palavra profética III: o tempo urge!

“Pode falhar tudo, menos a esperança.”
(Pedro Casaldáliga)

Se de um lado aumenta a violência do latifúndio, do agronegócio e do Estado, do outro persiste a resistência e há lutas organizadas e articuladas de camponeses, indígenas, quilombolas, extrativistas e outros, que enfrentam o sistema e reivindicam terra e territórios. Aprendem, na luta, que não se confia neste Estado e que a Constituição e regulamentações, no que lhes beneficiam, são no mais das vezes letra morta. Aprendem que não será este Estado que dará as respostas aos desafios maiores postos pelos povos do campo e pela sociedade toda.

Os camponeses conseguem organizar assentamentos, implementam novas formas de relação com a terra e nos processos produtivos, reafirmam e reinventam caminhos coletivos e solidários de viver e não abandonam o projeto da democratização da terra, através de uma reforma agrária digna deste nome.

Esse enfrentamento incessante no campo convoca a CPT a renovar o seu compromisso de contribuir com a formação, a articulação, a mobilização e a renovação das organizações populares do campo, para que também os camponeses e as camponesas sejam protagonistas das transformações necessárias da sociedade brasileira e mundial.

A hora exige mudanças radicais do nosso jeito de ser, de viver e de estruturar a vida. Uma nova maneira de organizar a “casa e o mundo” (em grego, óikos): a reprodução material da vida (economia), o trato com a natureza (ecologia) e as relações sociais (ecumenismo). No Brasil e no mundo, trasbordam as ruas do povo indignado e desejoso de democracia real. Seu grito evidencia a derrocada da estatocracia, serviçal do capital, falsa democracia.

A nós da CPT, a hora exige uma espiritualidade centrada no seguimento radical de Jesus,  que o nosso testemunho a serviço do Reino de Deus incorpore o grito das ruas e dos campos e construa relações novas entre mulheres e homens e com a Criação. Somos chamados a desconstruir a teia hierárquica que coisifica e inferioriza a natureza, as mulheres, os pobres, os negros, os indígenas, as minorias e os camponeses.

A aliança dos povos da terra nos impulsiona para a perspectiva de um ecumenismo novo e extenso (macroecumenismo), em que a Bíblia, lida e vivida a partir dos pobres e do conflito, dialoga com as teologias afro-descendentes e dos povos originários de nossa América.

Será uma dura luta para superar também o patriarcalismo que domina as relações humanas na família, na sociedade, no Estado e nas Igrejas. Mas é um caminho necessário, possível e urgente. Como foi o de Francisco e Clara de Assis e, em nossos dias, o de Pedro do Araguaia. Desde sua consagração como bispo, 40 anos atrás, ele nos prova que é possível converter-se a uma Igreja-Comunhão, que não pactua com “as forças do latifúndio e da marginalização social”, como proclamava sua primeira carta pastoral em outubro de 1971.

Assim seja para a CPT também!

(Carta de Hidrolândia, Goiânia 22 de outubro de 2011, Conselho Nacional da Comissão Pastoral da Terra) 

3 comentários:

Antonio Celso disse...

Lutar sempre desistirt nunca, este é o sentido dos movimentos sociais, que está ligado a organização e mobilização popular.

Ianaldo Pimnetel disse...

Tudo comerça com uma pergunta:
" o que procuram?" (jO 1,38). a essa pergunta seguiu o convente a viver uma experiência : "Venham e verão".
O convite que inquieta todos nós,Para construir uma nova sociedade é preciso caminhar junto e organizado. Garantir vida digna para a maioria do nosso povo só enfrentando os opressores, para os movimentos sociais não é uma tarefa opcional é uma necessidade.
REDE DE DEFESA, NÚCLEO DE CANTANHEDE

José Atailson P. dos Santos disse...

Não há outra saída para a efetivação dos direitos básicos da pessoa a não ser a organização permanente da da sociedade civil, a partir de uma nova e participativa concepção de estado. A pessoa em primeiro lugar. depois vem a economia de mercado...