CONGRESSO

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Liberalismo ou teoria é uma coisa, prática é outra!

Abaixo, um dos relatos integrantes do livro “Espelho: uma história quase universal”, do latino-americano, nascido no Uruguai, Eduardo Galeano.

Nessa obra o autor de “As veias abertas da América Latina”, importante obra sobre o processo de colonização e neocolonização da América Latina, faz a narrativa dos acontecimentos históricos com pequenos relatos.

Na verdade achados preciosos que nos fazem compreender, mas do que as belas intenções, quais as ações reais dos personagens históricos, fatos concretos que quiseram ocultar da história e quais artimanhas fizeram para reescrever a história.  

Como John Locke, um dos pais do liberalismo, que pregava a liberdade total, mas era favorável à escravidão, pensamento predominante na Europa.

Assim, ao contrário do que se imagina, o liberalismo europeu nasceu dentro de uma contradição e não se livrou dela, pois defendia da mesma forma a liberdade e a escravidão, como defende todas as outras liberdade, mas na prática só poucos podem usufruir.

Recomenda-se essas duas obras de Eduardo Galeano, entre tantas, para quem quiser entender e compreender a nossa história.

Sem sombra de dúvida, não será o mesmo após essas leituras!

O filósofo da Liberdade

Passaram-se os séculos e continua crescendo a influência do filósofo inglês John Locke no pensamento universal.

Não é de se estranhar. Graças a Locke, sabemos que Deus outorgou o mundo aos seus legítimos proprietários, os homens industriosos e racionais, e foi Locke quem deu fundamento filosófico à liberdade humana em todas as suas variantes: a liberdade de imprensa, a liberdade de comércio, a liberdade de competição, a liberdade  de contratação.

E a liberdade de investir. Enquanto escrevia seu Ensaio sobre o entendimento humano, o filósofo contribuiu para o entendimento humano investindo suas economias na compra de um pacote de ações da Royal Africa Company.

Essa empresa, que pertencia à coroa britânica e aos homens industriosos e racionais, ocupava-se de agarrar escravos na África para vende-los na América.

De acordo com a Royal Africa Company, seus esforços asseguravam um constante e suficiente subministro de negros a preços moderados.

Fonte: Espelhos: uma história quase universal, de Eduardo Galeano. Editora L&PM Editores, 2008, pg.147/ Pintura: Rugendas (1835).

Um comentário:

Anônimo disse...

Os personagens atuais da nossa história, continuam a querer ocultar suas artimanhas.

Márcia Natalina
Rede de Drfesa/núcleo V. Grande